Bíblia: verdadeiro anúncio

O que a bíblia deveria alcançar na vida das comunidades, dos ministros e de cada Cristão?

Vejamos algumas formas de entendê-la.

» A Bíblia como ANÚNCIO:

A Bíblia é evangelização, pregação, catequese. Deve ser o maior e principal anúncio das coisas de Deus. Isso tem importância capital para se alcançar penetrar na palavra de Deus, para a conversão e renovação. Ela deve ter sempre fundo cristológico: qualquer fato deve levar ao Cristo, o evangelho vivo do Pai.

» A Bíblia como ESPIRITUALIDADE:

É a vivência pessoal e comunitária da palavra. Ela deve tornar-se um manual de oração, algo que ainda não é freqüente em nossos cristãos. Deve-se saber orar com a palavra de Deus. Não só orar, mas saber escutar o que Ele tem a dizer quando lemos sua palavra (valor do silêncio/escuta). A Bíblia deve formar a personalidade cristã dentro dos critérios de Deus.

» A Bíblia como CELEBRAÇÃO:

A palavra não deve ser apenas lida e escutada, e sim proclamada e celebrada. A comunidade deve celebrá-la na liturgia, no culto, e nas manifestações comunitárias da fé. Deve-se valorizar mais a CELEBRAÇÃO DA PALAVRA na ausência do padre. Deveria ser algo sentido e valorizado pelas comunidades cristãs, não só quando o padre preside, mas sempre. A preparação não é para pregar, mas para vivenciar.

» A Bíblia como FERMENTO:

A escritura deve levar à conversão, à mudança, à transformação. Seu papel é abrir caminhos novos para cada um e para a sociedade, segundo o projeto de Deus. Deveriam se realizar as palavras da própria Bíblia. “Ela não torna a mim sem fruto. Antes cumpre a minha vontade e assegura o êxodo da missão para a qual a enviei” (Is 55,11). A palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante que qualquer espada de dois gumes. Penetra até dividir alma e espírito, junturas e medulas. “Ela julga as disposições e as intenções do coração”. (Heb 4,12).

Para refletir:

Qual é o fundamento de sua espiritualidade Cristã? Os Santos? A liturgia? A Bíblia?

Exerce o ministério da palavra em sua pessoa, família, trabalho, sociedade, ou só na capela?

Leitura orante da Bíblia.

Já somos cientes da função espiritual e eclesial da palavra de Deus, como alimento de vida nova e fonte de profunda espiritualidade. Agora propomos um método de orar com a Bíblia que era utilizado pelos Santos Padres (“Lectio Divina”), e retornou com muita força, alcançando os mais benéficos resultados. São quatro passos importantes na leitura de qualquer trecho da Bíblia.

  • Leitura: Faz-se uma leitura calma e meditativa do texto sagrado. Essa é a primeira exegese. Ler bem é já se adentrar no que o texto diz. Não se pode ter pressa. É melhor ler pouco e pausadamente a ler um longo trecho com pressa e distração. Uma leitura atenta e proveitosa já considera diversos elementos, anteriormente preparados. Sabe-se qual a época do livro, quem é o autor, que gênero literário utiliza, quais os costumes da época, em que contexto se acha este texto, e assim por diante. Ao mesmo tempo, reflete-se e medita: que tem isso a dizer para os dias de hoje? E para mim, pessoalmente?
  • Meditação: Não basta ler, é preciso meditar a palavra. Meditar é aprofundar e rumar o que Deus tem a nos dizer, ao nosso ambiente, às nossas necessidades. Deus tem mensagens que querem atingir a profundidade do leitor. A meditação deve ser feita com muita calma. Caso uma palavra de uma frase tenha profunda repercussão, não tenha pressa de ir além à leitura, mas retenha-se pelo tempo que for necessário. Talvez seja a mensagem mais forte do texto, que vai tocar o coração.
  • Contemplação: O texto bíblico deve tornar-se oração. Se Deus fala é porque quer entrar em comunhão conosco. Mas deve ser uma oração de intimidade. Contemplar é parar, admirar, extasiar-se, adorar um Deus que é tão familiar e comunicativo. É muito importante deixar-se envolver por Deus, que, no silêncio, quer comunicar muita coisa. Toda leitura da Bíblia deve se tornar oração. Ou melhor, deve-se tornar contemplação.
  • Ação: A leitura da Bíblia deve levar ao apostolado. Um Deus que fala é sempre um Deus que envia. Nenhuma leitura da Bíblia pode ficar sem efeito. A ação de Deus em nós deve tornar-se ação de Deus nos outros. O texto bíblico nunca é neutro. Exige, transforma, muda o jeito de passar as noites em oração na montanha, descer à planície para evangelizar e fazer apostolado. Ore o evangelho dominical.

 Orientação para ler a Bíblia com proveito.

Olhando a caminhada das comunidades nesses últimos anos, é possível criar critérios para uma leitura da Bíblia que traga proveito para as pessoas. Eis algumas orientações.

  • Ler sempre a Bíblia à luz da vida: a vida é o primeiro livro que Deus escreveu com a humanidade, e é aí que Deus fala. Jesus puxou a Bíblia para o hoje de nossa vida (Lc 4,21).
  • Ler a Bíblia tendo em mente sua grande e central mensagem de libertação: o livro do Êxodo é o coração dessa experiência. A prática de Jesus foi voltada totalmente para a libertação.
  • Ler a Bíblia a partir dos “pobres”: com olhos e coração de pobre. Se não nos colocarmos ao seu lado, compartilhando de seus sentimentos, nada compreenderemos do filho de Deus, que se aproximou deles.
  • Ler a Bíblia em comunidade e como livro da comunidade: é o livro de um povo, não de uma pessoa. Ela nasceu em forma de mutirão, fruto do esforço de muitos, e como memória das lutas do povo.
  • Ler a Bíblia em vista da transformação social (Reino de Deus): isto é, crendo que nos leva ao compromisso para mudar as relações sociais em nível comunitário, nacional e internacional.
  • Ler a Bíblia como fonte de valores humanos e sociais: a liberdade, a fraternidade, a justiça e o amor. Tem gente que vai buscar uma série de proibições, condenações e maldições.
  • Ler a Bíblia colocando no centro a pessoa de Jesus: que mostra o autêntico rosto de Deus. Jesus foi humano, e assim mostrou claramente quem é Deus. Há pessoas que colocam no centro a Bíblia. Sem Jesus o livro para nada serve. Lucas nos diz que veio ao mundo para realizar o projeto de Deus. Ele, portanto, é o centro de toda Bíblia.

Questões para reflexão.

  • Examine o jeito de Jesus utilizar a Bíblia, quando a cita. Faça exercícios lendo Lc 4,1-21.
  • Ore com a Bíblia para pedir sabedoria: Sab. 9,1-12.
  • Você já leu algum livro de introdução à Bíblia que lhe ajudou a entendê-la melhor. Qual?
  • Considera que a Bíblia traz a história da salvação e que todos os fatos têm como centro Cristo?
  • Faça seu próprio exame de “grau”. Na raiz de uma leitura litúrgica e de uma pregação está o saber ler e pronunciar bem, e isto podemos classificá-lo num termômetro de 10 graus.

0° grau: INAUDÍVEL – não se escuta, o microfone está desligado e ninguém ativou.

1° grau: ININTELIGÍVEL – voz tão apagada que ninguém segue a leitura.

2º grau: ERRATA – Erro gramatical. Tem-se omitido ou mudado alguma palavra / sílaba.

3º grau: MUDANÇA – Erro sintático por se ter mudado o sentido da frase.

4° grau: ROTINEIRA – Lê-se para sair do passo, com rotina, preguiça ou desinteresse.

5° grau: CORRETA – É completa na materialidade da leitura.

6° grau: PREPARADA – Nota-se que o leitor pregador tem feito pré-leitura.

7° grau: MADURA – O leitor tem lido com serenidade, segurança e sonoridade.

8° grau: RÍTMICA – O leitor tem em conta os ouvintes e entrega a leitura sem abuso de lentidão, ao cumprimento de uma assimilação pelos ouvintes de todas as palavras e idéias.

9° grau: VÍVIDA – O leitor faz-se ouvinte da palavra e comunica com gozo o que Deus lhe tem encomendado para que anuncie aos irmãos.

10° grau: TEMPERADA – Dizia São João de Ávila: “Prefiro uma palavra depois de ter estado em oração, a dez sem ela”.
Para a leitura e pregação temos que estar fortalecidos, temperados na oração, antes da apresentação. As crianças e o apresentador são instrumentos nas mãos de Deus, e temos de confessar com a oração que “sem mim nada podeis fazer”, dizer ou apresentar.

Uma nota para a espiritualidade do ministro da palavra

A mesa da palavra de Deus é inseparável da mesa do banquete na missa, ambas constituem o eixo da vida Cristã. “A liturgia da palavra e a liturgia eucarística estão de tal maneira unidas entre si que constituem um único ato de culto. O Concílio recomenda… participar da Missa inteira…” (SC 56), e dela, “como de uma fonte, derrama-se sobre nós a graça e brota com soberana eficácia a santidade em Cristo e a glória de Deus, fim para o qual tudo tende na Igreja” (SC 10).

Antes de tudo, Cristo Jesus se doa em alimento como palavra. Já “comemos” e “comungamos” Cristo como palavra. Ou seja, não só ouvimos, mas lhe escutamos, admitimos dentro de nós, assimilamos sua palavra, para levá-la a prática, aceitando sua mentalidade e seu estilo de vida. Não só quando é fácil, mas também quando nos parece exigente.

E assim preparados por Ele mesmo, disponhamo-nos como pão e vinho na comunhão eucarística, porque Ele mesmo quis ser alimento para nosso caminho.

Cristo-palavra e Cristo-pão. Um duplo e progressivo encontro com o mesmo Cristo. Como os discípulos de Emaús que, depois de lhe reconhecerem na fração do pão, lembraram que já ardia o coração quando lhes explicava as Escrituras.

“Para que seja plena a eficácia da liturgia, é preciso que os fiéis se aproximem dela com as melhores disposições interiores, que seu coração acompanhe sua voz, que cooperem com a graça do alto e não recebam em vão” 2Cor 6,1. “Cuidem, pois, os pastores, que além de se observar as exigências de validade e liceidade das celebrações, os fiéis participem da liturgia de maneira ativa e frutuosa, sabendo o que estão fazendo” (SC 11).

Todas as outras práticas de piedade “devem se harmonizar com os tempos litúrgicos e se articular com a liturgia, pois dela derivam e são destinadas a conduzir o povo à liturgia, que é muito superior a todas elas” (SC 13).

“A Igreja procura fazer com que os fiéis estejam atentos a esse mistério, não como estranhos ou simples espectadores, mas como participantes conscientes, piedosos e ativos. Devem entender o que se passa, instruir-se com a palavra de Deus e alimentar-se da mesa do corpo do Senhor” (SC 48). Por tudo isso, a primeira atitude é escutar a palavra de Deus.

Escutar é mais de que ouvir. É prestar atenção, ir assimilando e fazendo próprio o que se proclama. É algo ativo, não passivo.

Em nossas celebrações pode acontecer como na vida: não costumamos escutar o que outros dizem, mas a nós mesmos. Quando eles estão contando “suas coisas”, nós estamos pensando e logo falamos das nossas. Escutar é abrir-se ao outro, admiti-lo na nossa existência, o que nos enche da experiência e pensamentos do outro e nos aproxima dele.

Na liturgia da palavra ESCUTAMOS DEUS. Abrimo-nos a Deus que nos dirige sua palavra. Através de Isaías ou Paulo Ele nos fala hoje e aqui, comunica-nos seu projeto de salvação e sua proximidade, e convida-nos à comunhão de vida com Ele. Nosso Deus não é um Deus mudo nem está distante. Fala-nos. Está presente ante nós, dirige-nos sua palavra.

Nossa primeira atitude como ministros e como cristãos é a escuta atenta. “Celebramos a Palavra”, para que, depois de assimilá-la, possamos levá-la à prática na vida de cada dia. Olhamos no espelho da palavra, que é para ir “conformando” nossa história ao programa de Deus. Às vezes consola e anima, outras julga e desautoriza nosso estilo de vida convidando-nos à conversão. Sempre nos ilumina, nos estimula e nos alimenta.

1 – Interpretação fundamentalista

É uma interpretação que só se fixa nas palavras. Não olha em que contexto elas estão. Não as põe dentro do plano geral da Bíblia. É uma interpretação material muito perigosa, sujeita até a heresias. É um pouco o método de muitos crentes, que aprendem de cor alguns versículos, e vão repetindo-os.

2 – Interpretação Otimista

É uma interpretação que puxa a Bíblia para o seu próprio interesse. Chama-se também de interpretação subjetiva. Não vai buscar o que Deus quer dizer, mas aquilo que eu quero que o texto me diga. Em geral, vai-se ao texto já condicionado em buscar uma interpretação que se deseja. É o que por vezes se ouve dizer: “O Espírito Santo me inspirou!!!”

3 – Interpretação de conjunto

A única certa. Olha-se a Bíblia como o grande livro da PALAVRA DE DEUS. Deus é seu único autor. Não pode se contradizer. Um fato explica o outro, um texto completa o outro. Busca-se olhar a Bíblia dentro do contexto em que se encontra um texto, e procura-se olhar comparando com outros textos. Nunca se pode parar no Antigo Testamento, que foi uma etapa, mas não a decisiva. Já escreveu o doutor Santo Agostinho: “No Antigo Testamento, oculta-se o novo; e no Novo Testamento, esclarece-se o antigo”.

Tudo é unidade, como é uno o próprio Deus que é o autor.

4 – Método de Jesus de interpretar a Bíblia

A Bíblia é um livro de realidade. Não é desencarnada. Bíblia e realidade caminham juntas. Além de ser palavra pessoal do Pai que se torna carne – Cristo –, é o feliz encontro da palavra com a vida. Afinal, a Bíblia escreveu-se dentro da história de um povo e da comunidade. A palavra de Deus deve penetrar a realidade para empopá-la do seu espírito, e a realidade deve iluminar-se com a palavra.

Nada melhor do que o jeito de Cristo interpretar a Bíblia. Leia com atenção a narrativa dos discípulos de Emaús: Lc 24, 13-35.

  • Reflexão sobre realidade: Jesus parte de um fato acontecido em Jerusalém e introduz o assunto. Algo que interessava psicologicamente aos discípulos. Era aquilo que eles estavam discutindo e que não eram capazes de encontrar respostas.
  • Iluminação com a Bíblia: Jesus mostra que os fatos devem ser explicados à luz da palavra de Deus, para esclarecer e até mudar idéias erradas. Faz um caminho pelo Antigo Testamento. Diz-lhes: Deus tem muito a dizer sobre o que está acontecendo. E isto através de sua palavra. Não adianta vocês fazerem tantas suposições e alimentar dúvidas. Não conseguirão iluminação, se não as confrontarem com a palavra de Deus.
  • Vivência comunitária da fé: Jesus andou com os discípulos, conversou amigavelmente com eles, criou ambiente, tanto que sentiram necessidade de convidá-lo para jantar. Jesus aceitou. Sentou-se à mesa, rezou com eles, fez a partilha do pão e firmou gestos bem concretos de amizade. Jesus criou ambiente de comunidade.
  • Compromisso: Depois de ouvir as palavras de Jesus e até suas censuras e reconhecê-lo, os discípulos de Emaús não se concentram egoisticamente em si mesmos como que gozando do que acontecera, mas voltam a Jerusalém anunciando o fato aos apóstolos. E a atitude de consciência missionária, de testemunho, de anúncio das coisas de Deus.

Para refletir

Como é o meu jeito de ler, estudar e interpretar a Palavra de Deus? Abrange os quatro itens?

Quando preparo, leio e oro um texto, penso primeiro em mim? Na comunidade? Em Deus?

Quanto tempo dedico para o estudo e minha formação pessoal? Conheço a Dei Verbum?

Uso a Bíblia apenas porque necessito preparar a catequese, uma palestra, uma pregação, ou uso a Bíblia para rezar?

O MINISTRO DA PALAVRA É UM LÍDER NA COMUNIDADE

A partir da Palavra de Deus, o ministro orienta a comunidade. Ele deve ser, portanto, alguém que, no dia-a-dia, é um companheiro, um animador. É uma pessoa que se deixa guiar pelo Espírito Santo. Sua missão é anunciar a Boa Nova, chamando o povo à conversão e à fé. Por isso deve cultivar a esperança e viver em estado de alegria e acolhimento. Deve ser, sobretudo, uma pessoa de fé profunda, que descobre a presença e a ação de Deus em todas as circunstâncias e se abre à busca de sua vontade em todos os acontecimentos. É a fé que o levará a descobrir, nos sinais dos tempos, os chamados e orientações de Deus para animar a caminhada de seus irmãos e irmãs, especialmente aqueles deixados à margem do banquete da vida.

Os tempos de hoje requerem diálogo e discernimento, busca de Deus na história concreta do povo para responder, com fidelidade, aquilo que Deus quer de nós. Somente um líder que sabe dialogar poderá realizar uma ação evangelizadora junto à comunidade. 

Uma atitude importante na presidência de uma celebração é o realismo. Essa atitude levará o ministro a buscar estratégias de conscientização, o saber se relacionar com os conflitos e com a resistência de muitas pessoas diante das mudanças e não cair na auto-suficiência, que destrói as relações comunitárias.

Para impulsionar e alcançar a transformação desejada é preciso, ainda, confiança, liberdade e valentia para superar os obstáculos. Essas atitudes dão audácia para abrir novos caminhos ao Espírito, como aconteceu nas primeiras comunidades cristãs, que levaram a Palavra a todos os cantos da terra.

1 – Outras atitudes que favorecem e estimulam a reflexão e o trabalho do Ministro da Palavra na comunidade

  • Falar com as pessoas. Uma palavra de saudação cordial é agradável e reconfortante. Hoje necessitamos muito de gestos de amabilidade.
  • É importante cultivar um semblante amável, sereno.
  • Nos momentos oportunos, chame as pessoas pelo nome.
  • Seja amigável e cooperativo.
  • Seja cordial. Fale e aja com sinceridade. Faça tudo com bom gosto e boa preparação.
  • Interesse-se sinceramente pelos outros. Procure ouvi-los também.
  • Seja generoso em elogiar e cauteloso em criticar. Os líderes elogiam, sabem animar, dar confiança e elevar o espírito dos outros.
  • Aprenda a captar os sentimentos dos outros e não ser dono da verdade absoluta.
  • Três são as atitudes de um líder autêntico: ouvir, aprender e saber elogiar.
  • Procure ajudar a comunidade com os bons serviços que você pode fazer. O que realmente vale é o que fazemos pelos outros.

2 – No exercício do seu ministério esteja sempre atento!

  • Use frases corretas, educadas, amáveis e linguagem acessível.
  • Não elevar indevidamente o tom de voz. É preciso elevar a reflexão.
  • Dirigir-se a todos, não transformar nossa reflexão numa conversa particular.
  • Não se alongar demasiado na reflexão: 10 minutos é tempo suficiente.
  • Evitar falar muito nos vários momentos da celebração. Fale somente o essencial.
  • Interagir com a comunidade, motivando-a a participar.

Para que o Ministro da Palavra faça um bom trabalho, tanto na reflexão quanto na presidência da celebração, é necessário:
PREPARAR, REFLETIR e REZAR os textos bíblicos e o sentido da liturgia.

3 – O Presidente da celebração

É aquele que anima e coordena a assembléia.

É quem torna nossas celebrações mais vivas e participativas. Para isso é preciso firmeza nas expressões e clareza na voz.

Não é necessário falar demais, a todo o momento, explicando tudo. Isso atrapalha mais do que ajuda.

Quem preside a celebração, dirige a Deus as orações em nome de todo o povo.

As exortações, introduções e conclusões não precisam ser lidas tais quais se encontram no folheto ou outro material que se esteja usando. Elas podem ser adaptadas às condições da comunidade.

4 – Momentos importantes no exercício do Ministério da Presidência

Saudação Inicial: expressa à comunidade reunida a presença do Senhor. Juntamente com a resposta do povo, exprime o mistério da Igreja reunida. A assembléia se reúne em nome da Santíssima Trindade, e entra nesse mistério através do mistério da cruz de Cristo. Nesse momento a Igreja se torna o sacramento, o sinal da Santíssima Trindade. Reunir uma assembléia cristã não é um ato qualquer, mas um ato de culto a Deus. E é Deus mesmo quem a reúne.

Ato Penitencial (Introdução e conclusão): A comunidade necessita da misericórdia do Pai. Não é um momento de confissão dos pecados. Este momento ajuda a comunidade a perceber que tudo é graça, é dom de Deus. Tudo o que somos e temos vem de Deus e é de Deus. É preciso cuidar para que o “Senhor tende piedade de nós” não seja omitido. Se ele não estiver contido no canto, deverá ser rezado ao final do mesmo. Encerra-se com uma oração, após a qual a assembléia responde amém.

Glória: Fazer uma brevíssima introdução, convocando o povo a louvar a Deus por sua misericórdia. A Igreja, reunida pelo Espírito, glorifica e suplica ao Deus Pai e ao Cordeiro. Deve ser cantado (ou recitado) aos domingos, exceto no Advento e na Quaresma. Lembrar sempre que, se cantado, deve expressar o louvor ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Oração da Coleta: É introduzida por um silêncio, a convite do celebrante, que diz: “Oremos”. Fazem-se alguns instantes de silêncio, tomando consciência de que se está na presença de Deus e formulando interiormente seus pedidos. Esta oração recolhe e sintetiza todo o Rito de Entrada e abre os corações para a celebração.

A Liturgia da Palavra – A proclamação do Evangelho: Deus convoca e recria seu povo através de sua Palavra viva, criativa e eficaz. Essa mesma Palavra nos convoca a uma resposta de conversão, oração e atitudes coerentes. Para a proclamação da Palavra de Deus, deve se dar preferência ao livro, ao invés de um folheto. O livro é um sinal forte e significativo, pois contém a mensagem sagrada. O presidente saúda o povo e anuncia a proclamação, fazendo o sinal da cruz na fronte, nos lábios e no peito, pedindo que a Palavra penetre nas mentes; que ela seja anunciada e se transforme em gestos de amor.

A partilha da Palavra: É uma conversa sobre o mistério celebrado, a partir das leituras bíblicas, e sobre a vida da comunidade que celebra. É momento de animar o povo na caminhada, de despertar o desejo e a esperança de que a comunidade possa conformar sua vida ao projeto de Deus. Neste momento evocam-se os benefícios de Deus sobre o seu povo, especialmente em Jesus Cristo.

O Creio: O objetivo dessa oração é levar o povo a dar sua resposta de adesão à Palavra proclamada e refletida.

A oração da comunidade: É hora de pedir pelas necessidades da Igreja universal, da comunidade local e por situações e pessoas específicas. O presidente faz uma pequena introdução e uma conclusão.

O Pai-nosso: fazer um brevíssimo comentário, convidando o povo a essa prece de amor e confiança.

Abraço da paz: Pede-se pela paz, pela unidade da Igreja, dos povos, das famílias etc. Enfatiza-se a dimensão fraterna e participativa.

Convite à ação de graças pela comunhão eucarística: É importante cultivar e motivar o silêncio neste momento de interiorização e diálogo íntimo com o Senhor. Pode-se cantar após o silêncio.

Oração depois da comunhão: Oração que se refere a todo mistério celebrado e que lança o povo à aliança, ao compromisso com aquilo que celebrou. Clima de recolhimento e oração.

O envio final: A bênção final é um envio à missão de fazer de nossas vidas um louvor, um agradecimento ao Pai. É um convite a realizar a missão de Cristo no dia a dia da família, da comunidade etc.

LIDERANÇA E MUDANÇA

Necessário vos é nascer de novo…

Transformai-vos pela renovação do vosso espírito…. São Paulo

Existe a mudança? E o crescimento? As pessoas realmente mudam?

Para mudar é necessário rever nossos paradigmas sobre a mudança.

James C. Hunter nos apresenta quatro estágios no processo de crescimento e mudança:

  • Sofrimento: Muitos de nós precisamos de um atrito, desconforto ou insatisfação, para sair da “Zona de conforto”. E a dor é uma motivação para a mudança. Ela pode nos indicar as áreas nas quais necessitamos desenvolver melhor nossas habilidades.
  • Percepção: Refletir sobre nossa condição. Perceber os “sintomas” e suas conseqüências, que reclamam determinadas habilidades. Compreensão de que a mudança é difícil, mas é possível. Resgatar a esperança em si mesmo!
  • Vontade = Intenção + ações: Intenção de mudar + disposição de aceitar os esforços necessários para alcançar os objetivos com ações concretas. Tomar a decisão!
  • Mudança: é o resultado de comportamentos sistemáticos praticados por um determinado tempo. Essa é a verdadeira mudança. “Quando você melhora um pouco a cada dia, coisas grandes começam a ocorrer. Não procure por melhoras rápidas e grandiosas, busque a pequena melhoria, um dia de cada vez. É o único modo para que aconteça – e, quando acontece, dura.” John Wooden – Treinador de basquete

PRINCÍPIOS DA GESTÃO (PETER DRUCKER)

Ela trata com seres humanos: capacita-os pata atuar em conjunto, efetivar suas forças e reduzir suas fraquezas.

Está inserida na cultura, pois trata da integração das pessoas em um empreendimento comum.

Toda organização requer compromisso com metas comuns e valores compartilhados.

A gestão capacita a organização e cada um de seus componentes a crescer e a se desenvolver à medida que mudam as necessidades e oportunidades. Toda organização é uma instituição de aprendizagem e de ensino. Gestão é aprendizado constante.

Numa instituição, cada um assume aquilo que lhe diz respeito, colaborando com todos. Para isso é necessário comunicação e responsabilidade.

As instituições não lucrativas também necessitam de indicadores para avaliar seu desempenho, medindo questões específicas de sua missão.

O resultado de uma instituição está no seu destinatário: no caso das escolas é o aluno que aprendeu algo que usará no correr da vida.

A gestão ganha importância no momento em que se faz a ponte entre o desejo e a realização, a proposta da missão e sua efetivação. Quanto mais desafiadora e complexa uma situação, mas será necessário liderar, organizar, empreender, planejar, executar, avaliar, aprender.

“…Se o amor muda as pessoas, e ele muda, me parece natural que Deus seja a fonte de crescimento e mudança – porque Ele é Amor. Em outras palavras: quando nos esforçamos para ter um comportamento amoroso, Deus tem a oportunidade de atuar na vida de quem dá e de quem recebe.” J. Hunter

Texto organizado por Irmã Maria do Carmo Lopes, da Congregação das Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora.

Texto corrigido por Maycon Saiter.

 

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